
Poxa, nunca pensei que fosse tão difícil, mas realmente é, ainda mais quando não se sabe por onde começar. Vou começar aos poucos, talvez o que passei e continuo a passar seja próximo da realidade de muitos neste país. Quando criança sempre gostei de desmontar meus brinquedos, me atraia seu funcionamento. Desde o girar das rodas de um carrinho de fricção até o funcionamento do video-game de meu irmão mais velho (mas este não pude desmontar). Livros, revistas e jornais sempre estavam por perto, mas nunca consegui ler um livro até sua última página, a impaciência era algo que me acompanhava a galopes. Lembro de adorar quando minha mãe pegava em nossa biblioteca um volume da coleção Mundo da Criança que tinha o seguinte título: Faça você mesmo seus brinquedos (realmente não lembro se este era seu nome, mas a função do livro era esta). Criávamos carimbos com batata, vulcões com jornais picotados misturados a muita farinha e água, para que o ferrorama de meu irmão passasse por baixo, entre muitos outros brinquedos. A criação, experimentação, exploração foi algo sempre incentivado por meus pais. Para mim era um prato cheio.
Em um aniversário de minha mãe ela ganhou uma nhoqueira (equipamento para fazer as bolinhas de nhoque de forma "automática"). Ví aquele aparato plástico e realmente o achei incompleto. Imagine o seguinte: a massa do nhoque está pronta, você despeja esta massa no cilindro que fica no meio da nhoqueira, fecha o cilindro com uma tampa que permite pressionar toda esta massa para sair em furos da sua base. A cada pressionada são feitas 8 bolinhas de nhoque, e para soltá-las é necessário uma espátula para "cortá-las". Imaginei o seguinte: Quem sabe não colocar um anel plástico em volta deste cilindro, ao fazer as bolinhas seria necessário só baixar este anel plástico que as 8 bolinhas seriam cortadas ao mesmo tempo. Simples, não? Pois bem, fiz um desenho de minha pequena inovação e a levei as Lojas Renner, pois o pacote do presente era da Renner. Chegando lá com meus 11 anos pedi para falar com o gerente da loja. Em poucos minutos ele veio me atender. Mostrei meu desenho, com toda a desenvoltura necessária. Lembro que ele me elogiou, em seguida me deu uns 3 brinquedos baratos e agradeceu. Poxa, ganhei o dia, a semana, o mês. Passados 12 anos estava eu em um supermercado quando me deparo com a tal nhoqueira, qual foi a grande surpresa? Meu pequeno desenho de um simples anel plástico se transformou em realidade. O desejo de melhorar ou criar algo sempre me seguiu e hoje me guia.

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