Neste domingo, 21 de novembro meu enteado, um menino gente boa, de 14 anos foi ao Colégio Tiradentes ( http://www.brigadamilitar.rs.gov.br/ctbm/index.html ) disputar uma das 120 vagas, entre mais de 850 inscritos. Para quem não sabe o Colégio Tirandentes é referência de educação no Rio Grande do Sul.
O Willian estava estudando 3 turnos nos últimos dois meses para se preparar para mais esta prova de sua vida. Então as 6 da matina acordamos e fomos levá-lo ao Tiradentes. Minha esposa, como toda mãe dedicada estava muito apreensiva, eu tentando manter o controle emocional, minha filha de 4 anos teve uma noção muito clara da importância desta prova para o Will, e também torcia muito por ele e por fim o grande ator de toda esta epopéia, o Willian, estava tenso, mas muito focado no que queria.
Chegamos na escola as 7:35, enquanto estacionava a Rê levou o Will ao ginásio onde todos os concorrentes aguardavam o sinal para se organizarem. Depois que o aluno entrava no ginásio, pais, avôs, tios, amigos perdiam o contato e ficaram apreensivos aguardando o retorno deste pequenos grandes heróis. Sim, heróis, largar durante um longo período X Box, PSP, jogos de futsal, festinhas, entre outras diversões destas que esta galera faz hoje, pelo objetivo de estudar para entrar em uma grande escola, somente para heróis nos dias de hoje.
Pois bem, estacionei o carro e fui juntamente com minha filhota ao encontro da Rê, que como toda mãe consciente e carinhosa estava uma pilha de nervos. Como chegamos com uma reserva bastante interessante no horário observávamos pais e filhos chegando na concentração, o ginásio. As reações eram as mais diversas e a cada 5 minutos um policial militar gritava:
- 15 minutos, corram.
Neste momento os alunos que estavam próximos ao ginásio, mas ainda não tinham adentrado, davam aquela corridinha básica e alguns pais desconhecidos destes jovens gritavam com estusiamo incentivando crianças desconhecidas para chegar no horário. Estes pais que já estavam com seus filhos no ginásio incentivavam em alto e bom som filhos de outros pais, que em muitos casos concorriam diretamente com seu filhos.
- 10 minutos, corram.
Novamente a voz firme de um policial militar era ecoada em todos os cantos. Jovens que estavam "atrasados" passavam correndo, voando e quase como se fosse seus rastros gritos de pais os incentivando para correr mais e mais rápido. Aos poucos um corredor de pais, mães, avós, amigos se formaram da porta do ginásio ao início do estacionamento, cerca de 60 metros era esta distância entre estes dois pontos.
- 5 minutos, corram.
Este era o último sinal, alunos atrasados voavam, pais desconhecidos incentivavam em alto e bom som, algo fantástico, emocionante, real.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 20, 30 alunos passavam correndo nestes minutos finais e a cada aluno os incentivos eram maiores e maiores, algo mágico, fantástico.
- Ok, portões fechados.
Este momento é triste, alunos atrasados voltavam ao estacionamento desconsolados, muitas vezes apoiados por seus pais, outras não, mas de qualquer forma cortava o coração. Somente no próximo ano teriam a chance de se provarem, porém, a vida é assim.
Imaginávamos que as provas seriam realizadas no ginásio, porém 5 minutos após o fechar dos portões, turmas de 30 em 30 candidatos saiam atrás de um estudante do Tiradentes que empunhava um cartaz para estes 30 alunos se dirigirem a sala correta. Atrás de cada grupo de 30 um policial militar fechava a "escolta". O êxtase acontecia neste momento, pais que estavam no corredor "polonês" gritavam, torciam e vibravam por todos aqueles que passavam, filhos seus ou não, algo fantástico, emocionante.
Uma a uma, cada turma de 30 candidatos foi escoltada por um estudante do Tirandentes e um policial militar a sua respectiva sala para a realização da prova.
Ví uma cena parecida com esta somente em um jornal de TV que o "Enem" da Coréia do Sul era realizado com todo este sentimento e respeito pela educação, mais do que isso, pelos estudantes que sim, estavam em um momento glorioso. O horário do comércio era alterado para focar os transporte nos estudades e não ocorrer engarrafamentos. Policiais ficavam em prontidão para dar carona ao atrasados, sim na Coréia do Sul também existem os atrasados.
Fico imaginando como não seria ótimo para empreendedores passarem por um "corredor Polonês" com diversos empreendedores de sucesso torcendo e vibrando por eles.
No meu corredor gostaria de contar com a presença de Jobs, W.Olivetto, Dwight Eisenhower, Ricardo Felizzola, Gandhi, Miguel Krigsner, Lee Iacocca, Lírio Parisotto, entre muitos outros. Esta vibração que pode ser imaginada com ícones em suas areas é tão eficiente e calorosa quanto com desconhecidos, pois todos estão em volta de um ideal individual que se torna coletivo e vibra.
Já imaginou que vai no seu corredor de vibração?

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