segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Não perca seu tempo em 2012!

Lendo a coluna do grande amigo @YuriGitahy na Exame.com (http://migre.me/7iP7v) tive um inside a partir da definição mais atual de startup "uma startup é um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza".

2011 acabou, você tem todo um novo ano para se planejar e deseja iniciar uma startup?

Vá com calma, pense e repense, uma startup não é a solução para tudo, uma startup já nasce com vários problemas, talvez o maior deles seja criar um produto/serviço que seja escalável. Como a coluna apresenta: "Ser escalável é a chave de uma startup: significa crescer cada vez mais, sem que isso influencie no modelo de negócios. Crescer em receita, mas com custos crescendo bem mais lentamente. Isso fará com que a margem seja cada vez maior, acumulando lucros e gerando cada vez mais riqueza".
Isto não é regra de 3, ou nem se parece com nenhuma regra ou pré-definição, criar, desenvolver e manter um negócio escalável requer quebrar diversas barreiras, enfrentar diversos NÃOs, suar como você nunca suou, investir em conhecimento não adquirido em nenhum momento anterior de sua vida profissional ou acadêmica.
Abrir uma startup necessita de algo muito difícil de se encontrar nas pessoas: PERSISTÊNCIA. Esta qualidade não deve ser utilizada para provar que todos estão errados e somente você está certo, pois isto não acontecerá, mas esta qualidade terá sua função principal quando você entender o que as pessoas desejam e no momento oportuno você coloca seu produto/serviço a disposição de todos, e como num passe de mágica a "roda" começa girar. Mas espere um pouco, esqueceu que você decidiu abrir uma startup? No momento seguinte a sua "roda" começa a girar mais devagar do que estava girando, novamente você tem que se reinventar, avaliar novamente sua estratégia, seu produto/serviço, suas crenças, parcerias, definições e bem vindo, você acaba de voltar para o início. É quase como jogar banco imobiliário, ficando algumas rodadas sem jogar.
Mas calma, você somente escolheu iniciar uma startup, talvez por estar na moda, por existirem investidores "dando" dinheiro a startups, ou talvez por algum motivo que nem Deus explica.

Então sua persistência fala mais alto e em bom tom:
- Se o google, facebook, peixe urbano conseguiram eu também consigo.

Putz, você é extremamente persistente mesmo, até no momento de crise pega como exemplo as startups de maior sucesso do planeta, mas ok, vamos lá, você tem que se reerguer.
Após algumas rodadas somente reavaliando seu negócio, você percebe que uma outra startup está colocando no ar um produto que casa muito bem com o teu e ambas conseguirão fazer uma parceria, quem sabe conquistar o mundo.
Remodela novamente seu plano de negócio, agenda reuniões, conversas, e bingo, uma nova parceria está formada.
Após colocar a nova estratégia no ar a “roda” recomeça a girar como você imaginava, mas agora você tem que dividir um pouco mais a sua fatia do bolo, mas isso não o incomoda, afinal de contas, para alguém persistente o que mais interessa é alcançar o seu objetivo.
Nossa, sua startup começou a “bombar”, amigos já pedem uma oportunidade profissional, investidores anjo começam a te olhar, blogs especializados em startups já fazem matérias ótimas sobre o que você criou, tudo está indo muito bem, até que................ putz, “roubaram” a sua ideia.
Voltamos ao banco imobiliário.
- O que fiz de errado? O que deixei passar? O que aconteceu?
Tranquilize-se, nada de anormal aconteceu, somente outros empreendedores perceberam que seu modelo de negócio foi validado e querem dividir sua torta de morangos, porém desta vez sem a tua “autorização”.
Seus sócios, investidores e colaboradores começam a questionar tuas escolhas e decisões, você também se questiona e o momento mágico novamente acontece, sua persistência sacode a poeira e recoloca você no plumo.
Mais uma vez seu modelo de negócio é avaliado, reavaliado e reestruturado. Você relança ferramentas, soluções e ações na sua startup e o mercado volta a vê-lo como o líder, o “inventor” de tal solução, putz, você é demais. Mas para manter o seu negócio escalável você deve deixar de lado os investidores anjo que o apoiaram até agora e partir para o Fundos de Investimentos. Sim, agora sim a coisa está ficando séria. Você enche a boca para falar que está recebendo aporte de um fundo que tem milhões para aplicar, claro que não serão milhões em sua startup, mas você se ilude que sim. Então o ambiente se renova, anjos já visualizam a saída recebendo um retorno interessante de seu investimento, seus sócios percebem que agora tudo vai andar “sozinho”, teus colaboradores já se enxergam levando seus animais de estimação para o escritório, como no Google e você relaxa é o cara, parabéns.
Mas esta sensação dura até a primeira rodada com o fundo, onde eles tem somente um propósito, saber o quanto é escalável tua startup e quanto irão lucrar com ela, caso venham a investir, deixemos claro que eles ainda não investiram nada, mas o clima, há, o clima, este melhorou.
Na primeira rodada você se sente um animal acuado, e esta sensação só acaba quando você assina o contrato e recebe o tão esperado aporte, neste momento você tem “somente” 18% das ações da startup que você fundou e ficou 4 anos tentando provar que ela será um sucesso, mas a tal persistência continua ao seu lado e você consequentemente o recebe muito bem.
Neste momento você olha para trás e percebe que “vestiu” a máscara de ter aberto uma startup anos antes e teve que te comportar de forma escalável em todos os momentos, ano após ano, até na hora de respirar, afinal de contas, você tem uma startup, que chique, cool.
Mas agora com a experiência adquirida você percebeu que poderia chegar ao mesmo resultado sem ter se vendido como uma startup, afinal de contas, investidores, consumidores e parceiros não querem startups, mas sim produtos/serviços que resolvam seus problemas e pagam por isso. Você se comportou de uma forma figurada por todos estes anos, querendo ser uma startup, um modelo retirado de contos de fada, onde com muito pouco surgem centenas de milhões de reais, dólares, euros para fundadores de startups e claro, você quer isso.

Para 2012 não perca seu tempo achando que tem uma startup ou abrindo uma startup, mas sim desenvolva soluções, produtos e o mais importante, modelos de negócios escaláveis.

Sucesso e muita persistência em 2012 e nos anos seguintes.

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